terça-feira, 13 de junho de 2017

Viver com Inteligência

Iniciamos esta nossa reflexão com o seguinte questionamento proposto por Allan Kardec aos Espíritos responsáveis pela Codificação Espírita e inserido no Livro dos Espíritos (1):

“23 O que é o Espírito?
– Espírito é o princípio inteligente do universo.”

Dando sequência ao assunto, o Mestre Lionês questiona:

“24 Espírito é sinônimo de inteligência?
– A inteligência é um atributo essencial do Espírito, mas ambos se confundem num princípio comum, de modo que, para vós, são a mesma coisa.”

O atributo inteligência é, notoriamente, passível de ser desenvolvido e sempre sob o comando da consciência e da vontade, com a finalidade de levar o Espírito à Verdade, com a consequente aquisição da felicidade eterna, conforme podemos confirmar na resposta dos Espíritos Superiores ao questionamento de Allan Kardec:

“115 Dentre os Espíritos, alguns foram criados bons e outros maus?
– Deus criou todos os Espíritos simples e ignorantes, ou seja, sem conhecimento. Deu a cada um uma missão com o objetivo de esclarecê-los e de fazê-los chegar, progressivamente, à perfeição pelo conhecimento da verdade e para aproximá-los de Si. A felicidade eterna e pura é para os que alcançam essa perfeição. Os Espíritos adquirem esses conhecimentos ao passar pelas provas que a Lei Divina lhes impõe. Uns aceitam essas provas com submissão e chegam mais depressa ao objetivo que lhes é destinado. Outros somente as suportam com lamentação e por causa dessa falta permanecem mais tempo afastados da perfeição e da felicidade prometida.”

Da resposta dada fica claro que não há privilegiados, e que nossa felicidade está posta em nossas próprias mãos, e para que evitemos dores e alcancemos a perfeição será necessário utilizar a nossa inteligência em sintonia com as Leis Divinas.

Mas o que é ser inteligente na Terra?

Como usar, adequadamente, nossa inteligência no nível em que se encontra?

As respostas podem ser facilmente encontradas (2):

“Não vos orgulheis do que sabeis, pois esse saber tem limites bem estreitos no mundo que habitais. Mesmo supondo que sejais uma das intelectualidades na Terra, não tendes nenhum direito de vos envaidecer por isso. Se Deus vos fez nascer num meio onde pudestes desenvolver vossa inteligência, foi porque Ele quis que fizésseis uso dela para o bem de todos. Esta é uma missão que Ele vos dá, ao colocar em vossas mãos o instrumento com a ajuda do qual podereis desenvolver, a vosso modo, as inteligências mais atrasadas e conduzi-las a Deus. A natureza do instrumento não indica o uso que dele se deve fazer? A enxada que o jardineiro coloca nas mãos de seu aprendiz não lhe mostra que ele deve cavar? E que diríeis se esse aprendiz, ao invés de trabalhar, levantasse sua enxada para atingir o seu mestre? Diríeis que é horrível e que ele merece ser expulso. Pois bem, assim ocorre com aquele que se serve de sua inteligência para destruir a ideia de Deus e da Providência entre seus irmãos. Ele ergue contra seu mestre a enxada que lhe foi dada para limpar o terreno. Terá assim direito ao salário prometido, ou merece, ao contrário, ser expulso do jardim? Ele o será, não há dúvida, e carregará consigo existências miseráveis e repletas de humilhações até que se curve diante d’Aquele a quem tudo deve. A inteligência é rica de méritos para o futuro, desde que bem empregada. Se todos os homens talentosos dela se servissem conforme a vontade de Deus, a tarefa dos Espíritos seria fácil, para fazer a Humanidade avançar. Infelizmente, muitos fazem dela um instrumento de orgulho e de perdição para eles próprios. O homem abusa de sua inteligência como de todas as suas outras capacidades e, entretanto, não lhe faltam lições para adverti-lo de que uma poderosa mão pode lhe retirar aquilo que lhe deu.”

Pensemos nisso.

Antônio Carlos Navarro

Referências Bibliográficas:
(1) Os números que antecedem as perguntas são as do Livro dos Espíritos;
(2) O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. 7, Bem-aventurados os pobres de espírito, Instruções dos espíritos, Missão do Homem inteligente na Terra, pelo espírito Ferdinando, Espírito Protetor – Bordeaux, 1862.

Nota do Autor:
Os grifos são do autor deste texto.

Nota do Editor:
Imagem em destaque disponível em <https://pixabay.com/pt/id%C3%A9ia-ideia-de-neg%C3%B3cio-neg%C3%B3cios-luz-2009484/>. Acesso em 13JUN2017.

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